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terça-feira, setembro 03, 2013
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Átila Oliveira
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quinta-feira, junho 20, 2013
SOBRE JACARÉS, CROCODILOS E GAVIAIS
A taxonomia (área da
biologia que trata da classificação dos seres vivos) divide as
espécies atuais da classe répteis (Reptilia) em quatro
grupos principais ou ordens: quelônios (tartarugas, jabutis e
cágados), esquamatos (lagartos e serpentes), crocodilianos
(crocodilos, jacarés e gaviais) e rincocéfalos (hoje representados
apenas pelo tuatara da Nova Zelândia). Ao incluirmos as espécies
pré-históricas, os répteis somam nada menos que 21 ordens,
evidenciando que o grupo já foi muito mais diversificado. Os
dinossauros, pterossauros e répteis marinhos (principalmente os
ictiossauros e plesiossauros) são os seus representantes fósseis
mais famosos.
Os crocodilianos sempre
estiveram entre os que mais atraem a atenção do ser humano, num
misto de fascínio e temor. Esses predadores habitam as regiões
tropicais e subtropicais, vivendo geralmente em rios, lagos e
pântanos; sendo que algumas espécies também ocorrem em marinas,
manguezais e até braços de mar. Possuem os maiores e mais complexos
cérebros entre os répteis atuais e são os únicos cujo coração é
completamente dividido em quatro cavidades (duas aurículas e dois
ventrículos), à semelhança dos mamíferos e as aves – embora
diferente desses, a separação entre o sangue venoso e o sangue
arterial durante a circulação ainda não seja completa. São também
os únicos que cuidam dos seus filhotes – há espécies de
serpentes píton que cuidam apenas dos ovos, abandonando-os logo após
a eclosão. Apesar de toda a fama que os precede, nota-se grande
confusão por parte do grande público quando se trata de diferenciar
os representantes dessa ordem. Entre os equívocos mais comuns
figuram a afirmação de que crocodilos e jacarés são a mesma coisa
ou que a diferença entre eles estaria no tamanho (crocodilos seriam
maiores). Conforme explicarei a seguir, os critérios para defini-los
como tais são outros.
Lembrando o que
mencionei nos meus posts “O Que é um Dinossauro?” e “Divididospor um Osso”, dinossauros (superordem Deinosauria),
crocodilianos (Crocodylomorpha), pterossauros (Pterosauria)
e tecodontes (Thecodontia) formam o grande grupo denominado
arcossauros (Archosauria). Os primeiros crocodilianos surgiram
no período Triássico, pouco antes dos primeiros dinossauros, (há
235 milhões de anos), a partir dos tecodontes – evidências
fósseis e anatômicas indicam que os tecodontes seriam os ancestrais
dos demais arcossauros. Mas os tipos atuais (subordem Eusuchia)
só apareceriam no período Cretáceo (há cerca de 85 milhões de
anos). Diferentes das espécies modernas, os primeiros crocodilianos
eram animais completamente terrestres. Ao longo do período Jurássico
desenvolveram diferentes adaptações, desde tipos de hábito anfíbio
como os atuais até espécies totalmente adaptadas à vida marinha.
Aos interessados em maiores detalhes a respeito da evolução e
taxonomia desses animais indico os seguintes links, do excelente site
Palaeos.
Mas quais seriam afinal
as diferenças entre um crocodilo e um jacaré? Primeiramente, cabe
esclarecer que o tamanho não é um critério seguro para esse fim.
Como veremos, há espécies de crocodilos menores que a maioria dos
jacarés. Os crocodilianos atuais são divididos em três tipos
diferentes (ou três famílias, taxonomicamente falando), num total
de 25 espécies.
Crocodilo
de água salgada (Crocodylus porosus).
Os crocodilos (família
Crocodylidae) constituem a maioria das espécies: três nas
Américas e as demais espalhadas pela África, Índia, Sudeste
Asiático e norte da Oceania. A palavra deriva do grego krokodeilos
(kroké = pedra, drilos = verme), inspirado pela visão
desses animais tomando sol sobre rochas e bancos de areia. O tamanho
varia de menos de 2m até 8,5m de comprimento – o crocodilo de água
salgada ou crocodilo de estuário, atualmente o maior réptil do
mundo.
Jacaré
de papo amarelo (Caiman latirostris).
A denominação
brasileira jacaré (do tupi iakaré) e a
norte-americana aligator (provável corrupção fonética para
o inglês de el lagarto, termo um tanto respeitoso por parte
dos primeiros colonizadores espanhóis) são usadas para o mesmo tipo
de animal (família Alligatoridae), que na maior parte do
mundo é conhecido como caiman e como caimão em alguns
países de língua portuguesa. São seis espécies na América do
Sul, uma no sudeste dos Estados Unidos (a única a viver num clima um
pouco mais frio), e uma na China. Alguns mal chegam a um metro de
comprimento, mas o aligator americano (Alligator mississipiensis)
e o jacaré Açu (Melanosuchus niger) são os gigantes da
família, podendo chegar a 6m. A maioria mede entre 2m e 2,5m. Com
exceção das duas espécies maiores, movem-se em terra firme com
maior desenvoltura que os outros crocodilianos e os menores até
escalam troncos caídos.
Gavial
do Ganges (Gavialis gangeticus) macho.
Muita gente desconhece
o terceiro tipo (família Gavialidae), representado por uma
única espécie (alguns autores atualmente preferem incluir uma
segunda espécie, que comentarei a seguir): o gavial do Ganges, que
apesar dos assustadores 7m de comprimento é inofensivo para seres
humanos. Esse animal é facilmente reconhecido pelas mandíbulas
muito longas e estreitas, uma especialização para capturar peixes.
Ocorre na bacia hidrográfica do rio Ganges, na Índia, onde é
considerado sagrado pelo povo hindu. Gavial é a latinização do
nome gharial, inspirado pela protuberância que os machos
apresentam na região das narinas (possível chamariz sexual), que
lembraria uma ghara, tipo de tigela indiana.
Seguem as principais
diferenças entre essas três famílias. Propositalmente exclui
aquelas mais específicas, concentrando-me nas que seriam facilmente
observáveis por qualquer pessoa, uma vez que dizem respeito à
estrutura do crânio e dentição.
Diferenças
anatômicas (crânio e dentição) entre crocodilos, jacarés e
gaviais (de crocodilians.com).
Crocodilos (família
Crocodylidae):
- Cabeça em formato triangular.
- Dentes de tamanhos variados, visíveis tanto na mandíbula superior quanto na mandíbula inferior quando o animal está de boca fechada, lembrando um sorriso.
- Narinas muito próximas.
Jacarés (família
Alligatoridae):
- Cabeça mais curta e mandíbulas mais arredondadas em comparação com os crocodilos.
- Dentes de tamanhos variados, sendo que os grandes dentes da mandíbula inferior se encaixam sob cavidades da mandíbula superior quando o animal fecha a boca, deixando apenas os dentes superiores visíveis.
- Narinas mais afastadas.
Gavial (família
Gavialidae):
- Caixa craniana mais curta em comparação com os demais crocodilianos; mandíbulas extremamente longas e estreitas.
- Cerca de cem dentes de tamanho uniforme, quase todos visíveis quando o animal fecha a boca.
- Narinas muito próximas e muito elevadas, dando à parte anterior das mandíbulas um aspecto arredondado e formando uma protuberância, mais acentuada nos machos.
A estrutura da
mandíbula, bem como o tamanho e a disposição dos dentes estão
diretamente ligados ao tipo de presa. Quase todos os crocodilianos
são predadores generalistas e oportunistas, caçando praticamente
qualquer animal que tenham força para abater e não dispensando nem
carniça. Mandíbulas largas com dentes de tamanhos diferentes
indicam variedade no tamanho e forma das presas. As mais comuns são
peixes, insetos, crustáceos, anfíbios, além de répteis, aves e
mamíferos de pequeno porte (incluindo crocodilianos menores). As
espécies maiores acrescentam à sua dieta tartarugas e também
mamíferos e aves de maior tamanho. Animais terrestres que se
aproximam para beber são arrastados para a água e afogados. Como a
morfologia das mandíbulas torna esses répteis incapazes de
mastigar, as presas pequenas são geralmente engolidas inteiras,
enquanto as maiores são despedaçadas com vigorosos movimentos de
cabeça e giros de corpo. Os músculos que abrem a boca são fracos
(a ponto de um homem poder mantê-la fechada apenas usando ambas as
mãos), mas os que a fecham são incrivelmente fortes, com um impacto
de até 15 toneladas nas espécies maiores (ERICKSON; LAPPIN; VLIET,
2004) - mais que suficiente para impedir a fuga da presa ou decepar
um membro. A grande exceção é o gavial do Ganges, especializado na
captura de peixes e apenas ocasionalmente alimentando-se de restos de
animais mortos, anfíbios e pequenas aves aquáticas. Há ainda duas
espécies de crocodilo, conhecidas como “falsos gaviais”, que
apresentam um focinho mais estreito e dentes com menor diferença de
tamanho em comparação aos outros membros da família. Tal anatomia
denota uma preferência por peixes, além da incapacidade de capturar
animais maiores, o que os torna um tanto próximos nos hábitos
alimentares ao gavial do Ganges, ainda que com uma diversidade um
pouco maior de presas. Adaptação semelhante é encontrada nos
dinossauros da família Spinosauridae (Spinosaurus,
Angaturama, Baryonix). Tudo indica que esses animais
eram predadores ativos, mas suas mandíbulas estreitas constituem
evidência de uma dieta especializada em presas menores. Restos de
peixe, incluindo escamas e dentes, foram encontrados na cavidade
estomacal de um fóssil de Baryonix - alguns paleontólogos
sustentam que essa espécie também seria carniceira. Embora grandes
e fortes, os Spinossaurídeos provavelmente não seriam capazes de
abater as enormes presas de outros dinossauros caçadores gigantes de
mordida mais devastadora, como o Allosaurus ou o Tyrannosaurus
rex (veja meu post “Predador ou Carniceiro?” para maiores
informações sobre a morfologia e possíveis hábitos alimentares do
T. rex).
Gavial/falso
gavial da Malásia (Tomistoma schlegelii).
Recentemente a análise
filogenética do falso gavial da Malásia revelou uma maior
semelhança e, consequentemente, um maior parentesco dessa espécie
com o gavial do Ganges (WILLIS et al., 2007). Ainda que sua
morfologia a aproxime dos crocodilos (PIRAS et al., 2010), alguns
taxonomistas, priorizando as afinidades moleculares, passaram desde
então a considerá-la como um gavial verdadeiro. Alcançando
facilmente os 6m, também não oferece perigo ao homem.
O habito de caçador
oportunista, que “não escolhe” as suas presas, acaba sendo o
grande responsável pelo fato de alguns crocodilianos serem os únicos
predadores que caçam efetivamente seres humanos. Leões, tigres,
onças, hienas, ursos pardos e polares podem atacar pessoas quando
escasseiam as suas presas habituais ou quando ficam impedidos de
fazê-lo por um ferimento, doença ou velhice. Ocorre que esses
crocodilianos não possuem o que se poderia chamar de presas
habituais. Para eles, humanos são presas como qualquer outra. Há
vários episódios documentados pelo mundo, de pessoas devoradas a
amputações, perfazendo uma média de dois milhões de ataques por ano. O maior número de relatos de ataques vem da África,
Sudeste Asiático e Austrália, tendo como principais vítimas, além
dos povos nativos desses locais, os turistas japoneses – conhecidos
por sua imprudência, aproximando-se demais e sem a mínima segurança
por uma boa foto ou filmagem. Para aqueles de curiosidade mais
mórbida, há vários flagrantes em vídeo disponíveis na internet
de turistas nipônicos descuidados que viraram comida de ursos
kodiak, crocodilos de água salgada ou grupos de leões – e é
sempre bom avisar: são cenas muito fortes, totalmente
desaconselháveis para cardíacos e os mais impressionáveis. O
aligator americano também já fez vítimas humanas, assim como o
crocodilo americano (C. acutus) com sua ampla distribuição
geográfica, do sul da Flórida ao Equador. Na Amazônia registram-se
ataques do jacaré Açu, enquanto na Venezuela e na Colômbia há
dois ou três relatos envolvendo o crocodilo de Orinoco (C.
intermedius), cujo comprimento pode chegar a 7m.
A maioria das espécies
de crocodilianos ainda corre sério risco de extinção. Muitas ainda
são caçadas pelo valor comercial da sua pele, mesmo depois da
criação de fazendas de jacarés e crocodilos pelo mundo. As maiores
são alvos frequentes da caça esportiva. Mas o maior inimigo desses
animais é mesmo a degradação dos seus habitats. Alguns como o
gavial do Ganges, vivem em locais onde o desmatamento e a poluição
atingiram níveis alarmantes. Outros como o crocodilo de Orinoco e o
aligátor americano estão confinados a áreas extremamente pequenas.
Faz parte dos deveres daqueles que lidam com o ensino de ciências e
a educação ambiental o esclarecimento aos demais que esses
magníficos répteis, que estão aqui há muito mais tempo que nós,
têm seu lugar na natureza. Você não precisa querer abraçar um
crocodilo ou nadar ao seu lado. Mas ele tem o mesmo direito à Terra
que você. E por isso merece o mínimo respeito.
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Átila Oliveira
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sábado, dezembro 15, 2012
MAIS SOBRE VIDA EXTRATERRESTRE
Como complemento aos meus posts anteriores referentes à possibilidade de vida extraterrestre, segue um excelente texto do engenheiro químico e consultor empresarial Francisco Quiumento, onde o mesmo inclui como fatores a serem considerados o nível civilizatório e a escala econômica de uma cultura:
http://francisco-scientiaestpotentia.blogspot.com.br/2012/12/aliens-ou-vida-extraterrestre-iii.html
Boa leitura.
http://francisco-scientiaestpotentia.blogspot.com.br/2012/12/aliens-ou-vida-extraterrestre-iii.html
Boa leitura.
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Átila Oliveira
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20:38
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sexta-feira, dezembro 07, 2012
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terça-feira, dezembro 04, 2012
AS MUDANÇAS NA EQUAÇÃO DE DRAKE
Frank Drake e sua equação (foto: divulgação).
Na minha palestra “Vida na Terra e Vida Extraterrestre”, cujo resumo pode ser conferido
neste blog (e lembrando que todos os leitores são livres para
divulgá-lo e mesmo imprimi-lo, desde que mantidos os devidos
créditos), mencionei a famosa equação do Professor Emérito de
Astronomia e Astrofísica pela Universidade da Califórnia e grande
amigo de Carl Sagan (1935-1996), Dr. Frank Donald Drake. Essa equação
visa estimar a quantidade de civilizações extraterrestres cujo
nível tecnológico permitiria a emissão de sinais de rádio a nível
galáctico e, consequentemente, um possível contato com o planeta
Terra. Como complemento ao material supracitado e principalmente para
maiores esclarecimentos, tomei a decisão de apresentá-la, incluindo
as mudanças que ocorreram na mesma desde quando foi elaborada, em
1961.
A Equação de Drake,
como ficou conhecida, se popularizou por meio da série de TV e do
livro “Cosmos” (1980) de Sagan, além de ter sido divulgada em
numerosos outros livros sobre Astronomia, bem como de pseudociência,
como “Eram os Deuses Astronautas?” (1968) de Erich Von
Däniken, em revistas de ufologia etc. Apesar de figurar em algumas
publicações de credibilidade duvidosa (que via de regra, distorcem
tendenciosamente os seus resultados, como veremos a seguir), a
equação é séria, bem fundamentada e, diga-se de passagem,
extremamente simples:
Onde as
estimativas originais de Drake foram as seguintes:
R* = número de estrelas da Via Láctea. Estimativa:
200 bilhões.
fp = fração estimada de estrelas com planetas
orbitando ao redor (0,5).
ne = fração estimada de planetas em um dado sistema,
ecologicamente adequados para o desenvolvimento de vida (entre 0,1 e
1,0).
fl = fração estimada de planetas onde a vida se
desenvolveu (entre 0,1 e 1,0).
fi = fração estimada de planetas onde se desenvolveu
vida inteligente – consciência, raciocínio e cultura. (1,0).
fc = fração estimada de planetas habitados por vida
inteligente onde se desenvolveu uma civilização capaz de se
comunicar (0,1 a 0,9).
L= fração estimada de tempo em que essa civilização
enviou sinais (0,000001).
N= número estimado de civilizações tecnicamente
avançadas na Via Láctea (100 mil).
Pseudocientistas e
charlatões dos mais diversos tipos adoram distorcer esse valor
final, indo de resultados que vão de 200 mil até a casa dos
milhões. Justamente pela sua simplicidade, a Equação de Drake
possui variáveis que permitem uma gama considerável de resultados.
Isso porque Drake estava preparado para possíveis descobertas
científicas que pudessem alterar o resultado inicialmente obtido. De
fato, ele nunca afirmou que esse número era definitivo. Na verdade,
nenhum cientista realmente ético faria algo semelhante numa situação
dessas. E é de conhecimento geral como pessoas de má fé utilizam
brechas em coisas que vão de legislações a teorias científicas
para criar seus embustes. Entretanto, muitos pesquisadores,
especialmente da área das ciências biológicas, observam que ele
foi por demais otimista nas suas conclusões. Na verdade, ele
realmente cometeu um equívoco muito comum por parte daqueles que não
estão familiarizados com a evolução biológica.
Antes, porém,
comentarei outras alterações feitas na equação ao longo dessas cinco décadas. Duas delas são particularmente interessantes,
apesar de interferirem pouco no resultado estipulado por Drake. O astrofísico norte-americano Michael Seeds no
seu livro “Horizons: Exploring the Universe” (1993) relaciona o número
de estrelas atualmente existente na galáxia, N*, com a taxa
de formação de estrelas. Em 2005 Alexander Zaitsev, engenheiro e
astrônomo da Academia Russa de Ciências incluiu as variáveis
nr (“Número de Reaparição”, o número médio de vezes
que uma civilização nova reaparece no mesmo planeta após a
extinção de uma civilização anterior, que teria surgido uma única
vez) e fm (“Fator de Comunicação”, a fração de
civilizações comunicativas que realmente se interessariam por
transmissão interestelar), logo após a variável fc.
Esses fatores provocam uma alteração mínima no resultado final (no
máximo um aumento de 1%), mas especialmente as duas novas variáveis
merecem atenção, uma vez que o ser humano não se comunica
ativamente por sinais de rádio interestelar (com única exceção do
episódio do radiotelescópio de Arecibo, o projeto SETI apenas
recebe sinais, não os envia) e a possível extinção de uma
civilização seguida pela ascensão de outra é um fator a ser
considerado.
A coisa realmente
começou a mudar quando vários astrônomos e astrofísicos
perceberam o risco de colisão ou severa mudança climática causada
por perturbação gravitacional decorrente da aproximação a algum
objeto massivo. Óbvio que a gravidade exercida pela estrela não
permite que um planeta escape da sua órbita e saia vagando por aí.
Ocorre que as estrelas também se movem. As galáxias estão sempre
em movimento. E existe o risco real de uma colisão ou
desestabilizadora aproximação com outra(s) estrela(s), inclusive de
que os planetas que orbitam a estrela em questão colidam com outras
estrelas ou com planetas de outras estrelas, ou sejam bombardeados
por objetos semelhantes à nossa nuvem de Öort ou nosso cinturão de
Kuiper, entre outros fatores que poderiam extinguir a vida num
planeta qualquer. Além disso, não se pode esperar que a órbita do
Sol ou outra estrela localizada nas regiões periféricas da galáxia
sejam estáveis a longo prazo. Esse fator torna o resultado final no
mínimo 100 vezes menor daquele que Drake presumiu.
Mas o fator que altera
definitivamente o resultado da Equação de Drake diz respeito à
evolução da vida na Terra. Drake estipulou que o surgimento de vida
considerada inteligente seria inevitável num planeta onde
simplesmente a vida já existisse (fi = 1,0, ou seja,
100% de chance). Contudo, o atual conhecimento sobre os processos
evolutivos mostra que acreditar nisso seria no mínimo ingênuo. No
último capítulo do seu livro “Vida Maravilhosa” (1989), o
paleontólogo norte-americano Stephen Jay Gould (1941-2002) aponta
que a história da vida na Terra apresentou muitas possibilidades,
das quais poucas sobrevivem nos dias atuais. Ele propõe imaginarmos
essa história como um filme, onde podemos retornar e pausar certas
cenas, observando que pequenas mudanças nelas poderiam fazer toda a
diferença. A hipótese da Terra Rara, que surgiu com o livro de
mesmo nome (Ward & Brownlee, 2000) expõe de maneira bastante
didática porque a vida multicelular seria um fenômeno raro, ainda
que a vida formada por seres unicelulares possa ser relativamente
comum no universo. Conforme explico no material supracitado, a
evolução biológica não possui qualquer direção ou propósito, e
uma pequena mudança durante o processo (extinções em massa, troca
de material genético etc) pode alterar todo o seu curso. Ela é
marcada pelo acaso. Como dito anteriormente, trata-se um equívoco
relativamente comum por parte dos não biólogos. Os críticos podem
argumentar que conhecemos apenas um tipo de vida e que o universo
pode conter vida totalmente diferente daquilo que conhecemos como
vida, inclusive com uma evolução totalmente diferente. Todavia,
isso não muda os fatos. Primeiro porque não temos qualquer
evidência de tais formas de vida. Segundo porque as hipóteses nesse
sentido, como as que lidam com elementos químicos que possam
substituir aqueles que conhecemos como constituintes básicos do
seres vivos (silício no lugar do carbono, arsênio no lugar do
fósforo etc.), mostram que essa suposta vida exótica seria ainda
mais rara. E terceiro que uma provável biosfera diferente de tudo
aquilo que conhecemos como vida será tratada como algo diferente,
talvez até mesmo dando origem a toda uma nova área da ciência para
estudá-la.
O fator do acaso
relacionado à evolução biológica faz com que o resultado final da
Equação de Drake seja um modesto número entre 0 e 10. Alguns
pesquisadores arriscam um valor de apenas duas civilizações
avançadas na nossa galáxia capazes de se comunicar conosco
(resultado = 2,31). Há aqueles que afirmam que sejamos únicos na
Via Láctea. E há ainda os mais otimistas, defendendo a existência
de um número maior de civilizações menos avançadas, com as quais
não poderíamos nos comunicar – um número que poderia chegar a
200. De qualquer maneira, se não estamos sozinhos, nossos vizinhos
mais próximos devem estar a muitos anos-luz de distância.
Bibliografia
recomendada:
DAWKINS, Richard, A
Grande História da Evolução, Companhia das Letras, 2009.
GOULD, Stephen Jay,
Vida Maravilhosa, Companhia das Letras, 1990.
SAGAN, Carl, Cosmos,
Villa Rica,1983.
SEEDS,
Michael A. e BACKMAN, Dana, Horizons:
Exploring the Universe, Brooks Cole,
12º ed., 2012.
WARD, Peter D. e
BROWNLEE, Don, Terra Rara, Campus, 2000
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terça-feira, novembro 27, 2012
MINHAS PALESTRAS NO IV ENCONTRO DE COSMOS
VIDA NA
TERRA E VIDA EXTRATERRESTRE
Dia 01/12, sábado, 17h.
Poucas coisas na Terra são tão fascinantes quanto à diversidade de seres vivos que a povoa. E um dos maiores mistério da ciência é como a vida teria surgido. Embora hoje já se tenha uma ideia de quando a vida terrena começou, ainda não sabemos como esse fenômeno tão singular teve origem. O mistério torna-se ainda maior se pensarmos na vida não apenas no nosso planeta, mas no universo. Seria a vida um fenômeno universal ou localizado? Seria ela a regra no cosmo ou uma grande exceção? É possível que haja vida em outros planetas? Se sim, eles seriam parecidos conosco? Existiria vida em Marte?
Carl Sagan tinha especial interesse na busca por vida extraterrestre e se uniu a especialistas de diversas áreas numa verdadeira caça a evidências nesse sentido, ao mesmo tempo em que repudiava formas não científicas fazê-lo. Tal atitude pioneira é considerada a semente da área de pesquisa científica interdisciplinar hoje conhecida como Astrobiologia.
Nesta palestra será abordado o conceito de vida, a história da vida na Terra, os mecanismos evolutivos, a possibilidade de vida fora da Terra e as pesquisas nessa área. Também serão tratados conceitos errôneos e idéias deturpadas presentes no senso comum referentes à evolução biológica e à possibilidade de vida extraterrestre.
Referências:
- ASIMOV, Isaac, Civilizações Extraterrenas, Nova Fronteira, 1980.
- DAWKINS, Richard, A Grande História da Evolução, Companhia das Letras, 2009.
- GLEISER, Marcelo, Criação Imperfeita, Record, 2010.
- GOULD, Stephen Jay, Darwin e os Grandes Enigmas da Vida, Martins Fontes, 1992.
- GOULD, Stephen Jay, Vida Maravilhosa, Companhia das Letras, 1990.
- SAGAN, Carl, Cosmos, Villa Rica, 1983.
- SAGAN, Carl, O Mundo Assombrado Pelos Demônios, Companhia das Letras, 1995.
- WARD, Peter D. e BROWNLEE, Don, Terra Rara, Campus, 2000.
Na WEB:
MICROORGANISMOS:
UMA VISÃO CÓSMICA
Dia 02/12, domingo, 16h.
Além de serem as mais antigas formas de vida, os seres unicelulares (constituídos por uma única célula) estão literalmente por toda parte: da água que bebemos ao interior de todos os seres multicelulares. Nas palavras do paleontólogo norte-americano Stephen Jay Gould (1941-2002): “As bactérias representam o grande sucesso da história da trajetória da vida. Elas ocupam domínio mais amplo de ambientes e possuem variabilidade bioquímica maior que qualquer outro grupo. São adaptáveis, indestrutíveis e surpreendentemente diversificadas”. Em seu livro “Microcosmos” (2004) Lynn Margulis (1938-2011), microbióloga e ex-esposa de Carl Sagan, defende que esses seres seriam os grandes “condutores” da evolução da vida na Terra. Além disso, alguns dos mais simples desses seres, denominados extremófilos, vivem em locais cujas características físico-químicas seriam letais para qualquer forma de vida mais complexa. Entenda porque esses seres tão pequenos são os verdadeiros senhores do planeta e nunca são ignorados no planejamento das viagens espaciais.
Referências:
- ALTERTHUM, Flávio e TRABULSI, Luiz Rachid, Microbiologia, Atheneu, 2008.
- FUTUYMA, Douglas J., Biologia Evolutiva, Funpec, 2003.
- HORIKOSHI, Koki e GRANT, W. D., Extremophiles – Microbial Life in Extreme Environments, John Wiley, 1998.
- MARGULIS, Lynn e SAGAN, Dorion, Microcosmos – Quatro Bilhões de Anos de Evolução Microbiana, Cultrix, 2004.
- SAGAN, Carl, Cosmos, Villa Rica, 1983.
- UJVARI, Stephan Cunha, História e suas Epidemias – A Convivência do Homem com os Microorganismos, Senac Rio, 2003.
- WARD, Peter D. e BROWNLEE, Don, Terra Rara, Campus, 2000.
Na WEB:
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quarta-feira, novembro 14, 2012
IV EVENTO DE COSMOS
E estamos aí novamente, pelo quarto ano consecutivo. Para aqueles que ainda não conhecem esse evento anual, ele celebra a obra do
astrônomo e pioneiro da divulgação científica junto ao grande
público, Carl Sagan (1934-1996). O encontro conta desde a sua
primeira edição com um ciclo de palestras, apresentações de
vídeos da série Cosmos e exposições.
A série televisiva
Cosmos, criada por Sagan e lançada inicialmente em 1980, chegou ao
Brasil em 1982 e obteve grande sucesso no mundo inteiro. O tema
principal da série era a Ciência e as relações dela com a vida na
Terra e em seus episódios foi possível conhecer um pouco mais sobre
os outros planetas, quasares e questões ecológicas que afetam
diretamente a sobrevivência da raça humana no planeta. O grande
mérito da série foi ter antecipado problemas ambientais que nos
afetam hoje em dia, como o efeito estufa e o aquecimento global.
Carl
Sagan foi um homem sempre a frente de seu tempo, uma pessoa sem medo
de errar e que ensinou gerações adquirirem amor pela ciência e o
planeta Terra.
Local: Escola Municipal de Astrofísica - Av. Pedro Álvares
Cabral, s/n, portão 10 (para pedestres) ou portão 3 para
estacionamento - Parque do Ibirapuera, São Paulo/SP
PROGRAMAÇÃO*
Dia 01/12 (sábado):
13h00 – Bate papo com Danilo Beyruth
Danilo Beyruth é ilustrador e quadrinista
brasileiro, responsável pela quadrinização de O Astronauta
Magnetar.
14h00 – Exploração e Colonização: o
Sistema Solar e Além - A humanidade
sempre explorou, fazendo as mais importantes descobertas que
alteraram profundamente seu modo de vida. A nova fronteira da
exploração é o espaço, e se não possuímos ainda as
fabulosas naves da ficção científica, com nossos robôs e
telescópios temos realizado uma nova era de descobrimentos
que revolucionaram nosso entendimento do universo e de nosso
lugar nele. Nesta palestra são abordadas as histórias dessas
viagens de descobrimento, os meios com que foram realizadas, e o
que está por vir no futuro próximo.
Renato Azevedo
15h00 – Planeta
Terra: a relação entre o ser humano e o ecossistema -
Um dos temas mais discutidos atualmente nas mídias e meios de
comunicação é o meio ambiente, propostas de recuperação e
preservação ambiental, conceitos de sustentabilidade, ideias novas,
grandes e pequenas, para a solução ou pelo menos a mitigação de
problemas ambientais causados pelo próprio ser humano. Mas, tais
propostas são viáveis? Será possível manter o desenvolvimento
tecnológico e o crescimento populacional diminuindo os impactos
causados ao ecossistema? Quanto tempo o planeta resiste? Convidamos a
todos à discussão e reflexão.
Melina Alvarez
16h00 – Planetas Extrasolares - Há
muito a humanidade tem questionado se existiriam planetas fora do
nosso Sistema Solar, se seriam parecidos com a Terra e se neles
poderia haver vida. Com o avanço da tecnologia as descobertas
nesse campo têm crescido a uma velocidade espantosa, e mais de
800 planetas extrasolares já foram descobertos até o momento.
Quais suas características? Como são seus sistemas
planetários? Estão em órbita de estrelas parecidas com nosso
Sol? Poderiam abrigar vida? Tais questões serão
discutidas nesta palestra, bem como as mais recentes descobertas.
Silvia Reis
17h00 – Vida na Terra e Vida
Extraterrestre - Poucas coisas na
Terra são tão fascinantes quanto à diversidade de seres vivos que
a povoa. E um dos maiores mistério da ciência é como a vida teria
surgido. Embora hoje já se tenha uma idéia de quando a vida terrena
começou, ainda não sabemos como esse fenômeno tão singular teve
origem. O mistério torna-se ainda maior se pensarmos na vida não
apenas no nosso planeta, mas no universo. Seria a vida um fenômeno
universal ou localizado? Seria ela a regra no cosmo ou uma
grande exceção? É possível que haja vida em outros planetas? Se
sim, eles seriam parecidos conosco? Existiria vida em Marte?
Átila Oliveira
18h00 – Apocalipse - Quais
as verdadeiras causas de um eventual fim do mundo? Elas não estão
escritas em tábuas de argila, calendários ou em algum documento.
Elas são os atos do dia-a-dia do ser humano. Neste bate papo,
confira o que pode levar a humanidade ao seu verdadeiro fim.
Alan Uemura e Átila Oliveira
Dia 02/12 (domingo):
13h00 – Presente de um Mundo Distante
- Lançada como um bilhete dentro de uma garrafa no imenso oceano
cósmico, a mensagem do disco dourado na Voyager diz muito mais a
respeito do anseio da raça humana em encontrar aqueles que, não
importa o quão avançados (ou não) sejam, poderão ser
considerados seus iguais. Somos todos “poeira das estrelas”,
lançando olhares assombrados e esperançosos para a imensidão do
universo.
Douglas Camillo Reis
14h00 – Clonagem - Pessoas
criadas geneticamente seriam as melhores para a exploração
espacial? Como a ciência e a ficção vêem essa questão?
Grupo Galáctica
15h00 – Vida e Morte das Estrelas - Ao
olharmos para o céu noturno podemos observar as estrelas, que nos
parecem belas, eternas e imutáveis. Mas na verdade o universo
está em constante transformação. As estrelas são todas
iguais? Qual seu tempo de vida? Como nascem e
morrem? Conheça mais sobre esses astros, suas características
como composição química e temperatura, e descubra que somos todos
“poeira de estrelas”.
Silvia Reis
16h00 – Microorganismos: Uma Visão
Cósmica - Além de serem as mais
antigas formas de vida, os seres unicelulares (constituídos por uma
única célula) estão literalmente por toda parte: do ar que
respiramos ao interior de todos os seres multicelulares. Nas
palavras do paleontólogo norte-americano Stephen Jay Gould
(1941-2002): “As bactérias representam o grande sucesso da
história da trajetória da vida. Elas ocupam domínio mais amplo de
ambientes e possuem variabilidade bioquímica maior que qualquer
outro grupo. São adaptáveis, indestrutíveis e surpreendentemente
diversificadas”. Em seu livro “Microcosmos” (2004) a
microbióloga Lynn Margulis (1938-2011), defende que os
microorganismos seriam os grandes “condutores” da evolução
da vida na Terra. Além disso, alguns dos mais simples desses seres,
denominados extremófilos, vivem em locais cujas características
físico-químicas seriam letais para qualquer forma de vida mais
complexa. Entenda porque esses seres tão pequenos são os
verdadeiros senhores do planeta e nunca são ignorados no
planejamento das viagens espaciais.
Átila Oliveira
17h00 – Explorando o Sistema Solar e Além:
Viagens Espaciais Tripuladas -
O ser humano sempre teve o impulso inato de explorar, e graças a
isso saímos das cavernas, realizamos as grandes navegações e
descobrimentos, e já começamos a explorar nosso sistema
solar. Seguindo o "pequeno passo" de Neil Armstrong, o
primeiro homem a pisar na Lua na missão Apollo 11, será apresentado
um histórico das principais missões espaciais já realizadas, além
de projeções para o futuro.
Renato Azevedo
18h00 – Fator Humano na Exploração
Espacial - O que seria necessário
para o homem viajar pelo espaço? As grandes ameaças a uma missão
espacial afetariam o bem-estar mental da tripulação e a forma como
o astronauta irá interagir uns com os outros.
Alan Uemura
PALESTRANTES
Alan Uemura: Jornalista e editor do site Aumanack – Diversãosem Limites.
Átila Oliveira: Biólogo e educador; mantém o blog Pegadas de Um Dinossauro do Século XXI.
Douglas Camillo Reis: Escritor e astrônomo amador.
Átila Oliveira: Biólogo e educador; mantém o blog Pegadas de Um Dinossauro do Século XXI.
Douglas Camillo Reis: Escritor e astrônomo amador.
Melina Alvarez:
Bióloga atuante na área de ecologia e meio ambiente.
Renato Azevedo: Escritor e engenheiro eletrônico.
Silvia Reis: Astrônoma amadora, psicopedagoga e autora de 10 livros na área da educação.
Renato Azevedo: Escritor e engenheiro eletrônico.
Silvia Reis: Astrônoma amadora, psicopedagoga e autora de 10 livros na área da educação.
(*) Programação
sujeita à alterações.
Organização:
Aumanack e Cosmos Legacy.
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Átila Oliveira
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segunda-feira, setembro 03, 2012
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DIA DO BIÓLOGO
Biologia, mais que uma ciência. Mais que uma profissão; um estilo de vida.
Parabéns a todos nós pelo nosso dia.
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terça-feira, julho 24, 2012
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A PIRÂMIDE DA ARGUMENTAÇÃO
ou...
por que refutações verdadeiras requerem verdadeiro conhecimento
sobre o assunto e não apenas orelhadas e trechos de Wikipedia?
Depois de um bom tempo
sem atualizar o blog, retorno com um post que talvez interesse
àqueles que curtem ciência e, em especial, os debates envolvendo
cientistas e não cientistas. Em 2010 postei o texto Sobre Falácias,
de Guilherme Magalhães Gall; onde o autor discorre em detalhes sobre
os vários recursos de desonestidade intelectual utilizado por
fanáticos religiosos, pseudocientistas e toda a classe daqueles que
se incomodam e/ou por algum motivo não aceitam determinadas teorias
científicas, em debates com cientistas. Para aqueles que conheceram
o blog há pouco tempo e ainda não leram tal artigo, considero de
suma importância fazê-lo antes de seguir por aqui, tendo em vista que alguns dos termos utilizados no post de hoje dizem respeito
diretamente ao mesmo. Àqueles que quiserem saber mais sobre o
fanatismo religioso como inimigo da ciência sugiro a leitura dos
meus textos Sobre o Criacionismo e O Pilar Fundamental do Criacionismo, ambos também deste blog..
Hoje lhes apresento a
“Pirâmide da Argumentação” – que felizmente tem se espalhado
por toda internet, incluindo o facebook. Trata-se de uma espécie de
classificação dos diversos “estágios” de argumentação que
podem surgir num debate envolvendo opiniões antagônicas; indo desde
a atitude mais grosseira (ofensa pessoal pura e simples, a ponto de
se deixar de lado o assunto discutido) até a mais refinada e
objetiva (refutação verdadeira ao ponto central do que é
apresentado, sem o uso de falácias, por parte de quem conhece o
assunto).
O formato de pirâmide
é ideal para ilustrar tal situação, uma vez que a argumentação
mais pobre costuma ser aquela utilizada pela maioria daqueles que se
dispõe a discutir tais assuntos representando a sua base, enquanto o
seu ápice representa a refutação verdadeira. Tal conclusão parece
óbvia, mas há mais variáveis envolvidas. Antes de mencioná-las,
contudo, nos atentemos para duas outras conclusões as quais o leitor
certamente também deve ter chegado:
- Os indivíduos que fazem uso de falácias não costumam ir além do quinto andar da pirâmide (ela sempre deve ser lida de baixo para cima). A falta de conhecimento, a paixão irracional (no caso dos fanáticos religiosos) e a própria metodologia científica impedem que eles consigam mais do que contra-argumentações baseadas em contradições que muitas vezes sequer existem (“Mas perder estruturas e se tornar mais simples não seria o oposto de evolução?”), o que para os mais desatentos podem dar a ilusão de abalar uma teoria ou afirmação. Aos já familiarizados, contudo, de nada funcionam.
- Da mesma maneira, o verdadeiro debate parece confinado aos dois últimos andares da pirâmide (o sexto e o sétimo). De fato, refutar o ponto central ou mesmo trechos de uma teoria científica ou afirmação baseada nelas requer conhecimento e objetividade. Mesmo porque, quem faz ciência sabe: nem sempre isso é possível. E aí chegamos às tais variáveis mencionadas anteriormente.
Apesar de essencial,
não é apenas o conhecimento sobre determinado assunto que determina
se uma refutação será possível ou não. Dentre outros fatores
importantes encontra-se a contingência histórica (vide meu texto Os Moluscos de Leonardo da Vinci). Mas talvez o mais
importante seja perguntar-se se aquilo que está em debate (como por
exemplo uma teoria científica) PODE ser refutado. Teorias
científicas não teem a obrigação de serem a palavra final sobre
um assunto e é muito bem vindo que todas elas sejam discutidas (vide
meu texto Ciência e Trabalho Cientifico). Mas a verdade é que
muitas delas seguem inabaláveis, como a Teoria Geral da Relatividade
e a Teoria da Evolução. No caso especial dessa última, tivemos
apenas refutações de pontos específicos (“trechos”), mas nunca
da sua idéia central (os seres vivos evoluem). E cada nova
descoberta da biologia apenas confirma as conclusões de Darwin e
Wallace. Ocorre que algumas teorias encontram-se tão bem embasadas
que refutar o seu ponto central torna-se praticamente impossível. E
então a única saída é tentar elaborar uma teoria nova, capaz de
desbancar a que está em voga – e como ocorre em todas as
profissões, há cientistas de egos mais inflados disposto a isso.
Obviamente, para os
pseudocientistas e fanáticos religiosos é muito mais fácil tentar
desacreditar uma teoria científica que criar uma teoria nova que
possa substituí-la. Para o azar deles, contudo, a ciência não é
mantida pela fé, mas por fatos e evidencias. E fatos só podem ser
refutados por meio de outros fatos. E estudar dá trabalho.
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Átila Oliveira
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domingo, março 18, 2012
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domingo, novembro 20, 2011
COMO COMPREENDER UM BIÓLOGO
É raro, mas vez por outra encontramos textos anônimos interessantíssimos na internet. Hoje decidi compartilhar uma dessas jóias com os meus visitantes. Tudo indica que a mesma só pode te sido redigida por um(a) biólogo(a) apaixonado(a) pelo seu trabalho. Ele não é novo e já rodou praticamente toda a rede, mas fica aqui para os que ainda não o conhecem.
Sendo apenas realista e sem querer puxar a brasa para a nossa sardinha, afirmo sem medo de errar que ser biólogo é muito mais do que uma simples profissão ou fonte de renda – mesmo porque em se tratando de renda na área das ciências biológicas e mesmo da ciência de um modo geral no Brasil a coisa é decepcionante, pra não dizer desesperadora. É um estilo de vida. Um biólogo (ou ao menos um biólogo de verdade) não apenas trabalha com biologia, ele simplesmente vive biologia. Ninguém estuda biologia atrás de dinheiro ou status social (felizmente ou infelizmente, não tem nem como), à semelhança do que ocorre com outras áreas. Quem resolve estudar seriamente biologia tem que, antes de tudo, gostar de biologia. E tem que ter uma coragem que só mesmo o gosto e a afinidade com a coisa são capazes de produzir. Quem não tem afinidade com a área acaba desistindo logo no início. Como me disse um colega certa vez: “Sem desmerecer os outros profissionais, mas certos cursos qualquer mané é capaz de fazer. Agora, para fazer ciência, para fazer biologia, o cara tem que ter culhão.”
Eu, por exemplo, fui um caso raro entre os adolescentes da minha época. Sempre soube a área que queria seguir, o que eu gostaria de estudar. Nunca tive nenhuma dúvida vocacional, ao contrário da imensa maioria dos meus amigos e colegas. Desde criança procurando bichinhos nos matagais e tentando descobrir como eles eram e viviam – sem contar as incontáveis picadas. E sem nenhum medo de brincar com um escorpião ou aranha, coisa que deixava a minha mãe apavorada. Pedindo livros e revistas sobre animais de presente e comprando-as nas livrarias e bancas de jornal sempre que surgia a oportunidade. Vendo beleza em cada detalhe da anatomia e do comportamento de cada espécie, muitas das quais rejeitadas pela maioria das pessoas. Depois vieram as criações de minhoca, os tenébrios, os aquários, terrários mais elaborados, a taxidermia e coisas do gênero. Tudo bem que houve um momento em que minha paixão pelos animais me fez pensar em seguir medicina veterinária. Mas depois que eu descobri que nesta área não estudaria vida pré-histórica e que as espécies silvestres ficariam em segundo plano, tive a certeza definitiva que meu o caminho estava diretamente ligado à biologia.
Li certa vez que o dia do biólogo (3 de setembro) pode ser considerado o dia de todas as espécies. Concordo plenamente. Temos o dia da árvore, da água, da Terra. Faltava um dia dedicado aos seres vivos e não apenas a um único tipo. Além de ser extremamente justo com o profissional que estuda os seres vivos.
De fato, estudar a vida é descobrir algo novo a cada trabalho, a cada dia. E o biólogo que realmente ama o seu trabalho sente nele o mesmo arrebatamento da descoberta que sentíamos quando criança ao observar insetos num jardim. Como escreveu o brilhante Richard Durrell no seu apaixonante livro “O Naturalista Amador”, os apaixonados pela natureza jamais padecerão de um mal que acomete a maior parte da humanidade moderna: o tédio.
Como Compreender um Biólogo
Tenha paciência ao caminhar com ele na rua. É provável que ele faça paradas freqüentes... Sempre há uma formiga carregando uma folha gigantesca nas costas ou uma samambaia disposta de uma forma estranha num buraco do muro.
Ele acha isso incrível!!!
Toda vez que vocês entrarem em qualquer assunto que envolva a área dele, ele se empolgará. Finja que presta atenção no que ele diz. Finja que está entendendo também. Entenda que o conceito de beleza de seu amigo biólogo é um tantinho diferente do seu. Sapos verdes, gosmentos e verruguentos são lindos. Escorpiões, aranhas, opiliões (hein?), aye-ayes (heeeiiinnn???!!!)... são todos lindos.Tente não vomitar quando ele te mostrar as fotos da última necropsia feita num golfinho.
Simplesmente ignore quando o encontrar agachado sobre o musgo... e faça o possível para que ele não te veja, pois uma vez que isso acontecer ele começará o discurso em biologuês: “são briófitas! São as plantas mais simples! Você acredita que elas não têm nem vasos condutores? E elas ainda dependem da água para a fecundação e...”
É provável que ele prefira ir para o congresso de Mastozoologia ao invés daquela viagem romântica. Você quer ajudá-lo? Mostre que há outras coisas no mundo, por exemplo... convide-o para ir a um museu de arte. Ou a um grupo de discussão sobre literatura.
Ele terá tendência a chamar pinheiros de gimnospermas. E a pinha (de onde
vem o pinhão) de estróbilo.
Não, ele não é um maníaco suicida se decidir entrar numa jaula para mergulhar com tubarões-brancos. Mas também não deve estar em seu juízo perfeito.
Ah, e é melhor você assistir filmes como Dinossauros, A Era do Gelo e Procurando Nemo com amigos que não sejam biólogos. Caso contrário você ouvirá, durante o filme: “ah, mas baleias não têm essa conexão entre a boca e o nariz, o Marlin e a Dori nunca poderiam ter saído pelas narinas dela!” E quem se importa? Bem, ELE se importa, e muito.
Eu, por exemplo, fui um caso raro entre os adolescentes da minha época. Sempre soube a área que queria seguir, o que eu gostaria de estudar. Nunca tive nenhuma dúvida vocacional, ao contrário da imensa maioria dos meus amigos e colegas. Desde criança procurando bichinhos nos matagais e tentando descobrir como eles eram e viviam – sem contar as incontáveis picadas. E sem nenhum medo de brincar com um escorpião ou aranha, coisa que deixava a minha mãe apavorada. Pedindo livros e revistas sobre animais de presente e comprando-as nas livrarias e bancas de jornal sempre que surgia a oportunidade. Vendo beleza em cada detalhe da anatomia e do comportamento de cada espécie, muitas das quais rejeitadas pela maioria das pessoas. Depois vieram as criações de minhoca, os tenébrios, os aquários, terrários mais elaborados, a taxidermia e coisas do gênero. Tudo bem que houve um momento em que minha paixão pelos animais me fez pensar em seguir medicina veterinária. Mas depois que eu descobri que nesta área não estudaria vida pré-histórica e que as espécies silvestres ficariam em segundo plano, tive a certeza definitiva que meu o caminho estava diretamente ligado à biologia.
Li certa vez que o dia do biólogo (3 de setembro) pode ser considerado o dia de todas as espécies. Concordo plenamente. Temos o dia da árvore, da água, da Terra. Faltava um dia dedicado aos seres vivos e não apenas a um único tipo. Além de ser extremamente justo com o profissional que estuda os seres vivos.
De fato, estudar a vida é descobrir algo novo a cada trabalho, a cada dia. E o biólogo que realmente ama o seu trabalho sente nele o mesmo arrebatamento da descoberta que sentíamos quando criança ao observar insetos num jardim. Como escreveu o brilhante Richard Durrell no seu apaixonante livro “O Naturalista Amador”, os apaixonados pela natureza jamais padecerão de um mal que acomete a maior parte da humanidade moderna: o tédio.
Como Compreender um Biólogo
Tenha paciência ao caminhar com ele na rua. É provável que ele faça paradas freqüentes... Sempre há uma formiga carregando uma folha gigantesca nas costas ou uma samambaia disposta de uma forma estranha num buraco do muro.
Ele acha isso incrível!!!
Toda vez que vocês entrarem em qualquer assunto que envolva a área dele, ele se empolgará. Finja que presta atenção no que ele diz. Finja que está entendendo também. Entenda que o conceito de beleza de seu amigo biólogo é um tantinho diferente do seu. Sapos verdes, gosmentos e verruguentos são lindos. Escorpiões, aranhas, opiliões (hein?), aye-ayes (heeeiiinnn???!!!)... são todos lindos.Tente não vomitar quando ele te mostrar as fotos da última necropsia feita num golfinho.
Simplesmente ignore quando o encontrar agachado sobre o musgo... e faça o possível para que ele não te veja, pois uma vez que isso acontecer ele começará o discurso em biologuês: “são briófitas! São as plantas mais simples! Você acredita que elas não têm nem vasos condutores? E elas ainda dependem da água para a fecundação e...”
É provável que ele prefira ir para o congresso de Mastozoologia ao invés daquela viagem romântica. Você quer ajudá-lo? Mostre que há outras coisas no mundo, por exemplo... convide-o para ir a um museu de arte. Ou a um grupo de discussão sobre literatura.
Ele terá tendência a chamar pinheiros de gimnospermas. E a pinha (de onde
vem o pinhão) de estróbilo.
Não, ele não é um maníaco suicida se decidir entrar numa jaula para mergulhar com tubarões-brancos. Mas também não deve estar em seu juízo perfeito.
Ah, e é melhor você assistir filmes como Dinossauros, A Era do Gelo e Procurando Nemo com amigos que não sejam biólogos. Caso contrário você ouvirá, durante o filme: “ah, mas baleias não têm essa conexão entre a boca e o nariz, o Marlin e a Dori nunca poderiam ter saído pelas narinas dela!” E quem se importa? Bem, ELE se importa, e muito.
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segunda-feira, outubro 24, 2011
III ENCONTRO DE COSMOS NO YOUTUBE
O amigo Renato A. Azevedo adicionou no seu perfil do Youtube videos com trechos de todas as palestras ministradas no III Encontro de Cosmos, ocorrido no dia 08 de outubro de 2011. Estão incluidos dois videos da minha palestra "Evolução e Extinção".
Segue o endereço:
http://www.youtube.com/watch?v=YkV-bn-q0Mo&feature=bf_prev&list=ULqrnMsCAaxvU&lf=mfu_in_order
Só agora notei que cometi um erro grosseiro na minha apresentação. O mesmo pode ser conferido no primeiro video video, onde menciono "efeitos especiais que existiam hoje". Se existiam, então não existem mais hoje, ora bolas. Minhas sinceras desculpas, amigos leitores.
Agradeço mais uma vez aos amigos do site Aumanack pela oportunidade, ao amigo Renato pela filmagem, aos presentes pelo prestigio e a todos aqueles que quiseram mas não puderam estar fisicamente presentes pelo apoio.
Segue o endereço:
http://www.youtube.com/watch?v=YkV-bn-q0Mo&feature=bf_prev&list=ULqrnMsCAaxvU&lf=mfu_in_order
Só agora notei que cometi um erro grosseiro na minha apresentação. O mesmo pode ser conferido no primeiro video video, onde menciono "efeitos especiais que existiam hoje". Se existiam, então não existem mais hoje, ora bolas. Minhas sinceras desculpas, amigos leitores.
Agradeço mais uma vez aos amigos do site Aumanack pela oportunidade, ao amigo Renato pela filmagem, aos presentes pelo prestigio e a todos aqueles que quiseram mas não puderam estar fisicamente presentes pelo apoio.
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terça-feira, setembro 27, 2011
III ENCONTRO COSMOS: TERRA E ESPAÇO
Nascia há 31 anos uma das séries televisivas de maior sucesso mundial: Cosmos.
Criada por Carl Sagan e sua esposa Ann Druyan, ela foi veiculada pela primeira vez em 1980 nos EUA, chegando dois anos depois ao Brasil.
O grande sucesso da série não era a ficção cientifica com suas naves espaciais ou seres alienígenas. Era o contrário. Carl Sagan conseguiu manter pessoas no mundo inteiro assistindo aos episódios de uma série que falava sobre Ciências.
Em seus episódios, pudemos conhecer um pouco mais sobre outros planetas e as estrelas, mas também sobre a vida na Terra e problemas ecológicos, em uma época que poucas pessoas falavam sobre isso.
Cosmos antecipou problemas como o efeito estufa, aquecimento global, falta de água e tantos outros que vivemos atualmente.
Carl Sagan foi um homem sempre a frente de seu tempo, uma ser humano sem medo de errar e que ensinou a gerações a ter amor pela Ciência e acima de tudo, pela própria raça humana.
O grande sucesso da série não era a ficção cientifica com suas naves espaciais ou seres alienígenas. Era o contrário. Carl Sagan conseguiu manter pessoas no mundo inteiro assistindo aos episódios de uma série que falava sobre Ciências.
Em seus episódios, pudemos conhecer um pouco mais sobre outros planetas e as estrelas, mas também sobre a vida na Terra e problemas ecológicos, em uma época que poucas pessoas falavam sobre isso.
Cosmos antecipou problemas como o efeito estufa, aquecimento global, falta de água e tantos outros que vivemos atualmente.
Carl Sagan foi um homem sempre a frente de seu tempo, uma ser humano sem medo de errar e que ensinou a gerações a ter amor pela Ciência e acima de tudo, pela própria raça humana.
Serviço:
Data: 08 de outubro de 2011
Horário: 9h00 as 18h00
Local: Auditório da Estação Ciência
Endereço: Rua Guaicurus, 1394 - Lapa - São Paulo (Ao lado da Estação Lapa da CPTM e do Terminal de ônibus, em frente ao Shopping Center Lapa)
Entrada: O evento Cosmos é gratuito. Será cobrado o valor da própria Estação Ciência, R$ 4,00 (veja valor atualizado no site da Estação). Estudantes e portadores de necessidades especiais - meia entrada. Isentos: Professores (com comprovação); monitor, agente ou guia de turismo (com registro Embratur); comunidade USP (com carteirinha válida na catraca); menores de 6 anos e maiores de 60 anos.
Evento sem fins lucrativos. Pedimos aos visitantes que levem 1 kg de alimento não perecível.
Programação*
- 9h00 – Abertura do evento
- 9h05 – Episódio 10: “O Limiar da Eternidade” série Cosmos - legendado
- 10h00 – Palestra: “Extraterrestres: Ficção, Ciência e Polêmica”. Palestrante: Renato Azevedo – site Aumanack
- 11h00 – Palestra “Presente de um mundo distante”. Palestrante: Douglas Camillo-Reis Grupo de Ficção Científica Alpha
- 12h00 – Episódio 9: “A Vida das Estrelas” série Cosmos - legendado
- 13h00 – Palestra "Evolução e Extinção" Palestrante: Átila Oliveira
- 14h10 – Palestra “Buracos negros – vilões do universo?” Palestrante Sílvia Reis – Grupo de Ficção Científica Alpha
-15h20 – Palestra “Os ônibus espaciais e a conquista do espaço - O Fim de uma Era” Palestrante Denis Zoqbi – Clube de Astronomia de São Paulo
- 16h30 – Palestra “A verdade sobre um ponto de vista: As mudanças e os modos como às pessoas interpretam a ciência". Palestrante Alan Uemura - site Aumanack
- 17h45 – Sorteio
- 18h00 – Encerramento
*programação sujeita a alterações
Sinopses:
O Limiar da Eternidade: Neste episódio Carl Sagan apresenta diferentes teorias acerca da origem e destino do Universo, desde lendas e crenças à astrofísica. Para tanto, Sagan apresenta noções básicas de físicas, explicando a questão das 3 dimensões e a possível quarta dimensão (tentando exibir o que seria um Tesseract), bem como o efeito Doppler e sua repercussão para o teoria do universo em expansão, descoberto através das observações esmeradas de Milton L. Humason e Edwin Hubble. Ao tratar do big bang, faz uma regressão às explicações cosmológicas do hinduísmo, especialmente a "dança cósmica" do deus Shiva, numa escultura do Império Chola.
Extraterrestres: Ficção, Ciência, e Polêmica: Ao longo de mais de um século, os extraterrestres têm capturado a imaginação da humanidade. Desde a publicação de A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, as pessoas fazem à pergunta: eles existem? Na ficção, produções literárias, televisivas e cinematográficas têm explorado a exaustão as mais variadas facetas da vida extraterrestre. As descobertas científicas parecem indicar que é questão de tempo a comprovação da existência de vida fora da Terra. Mesmo assim, as polêmicas ainda existem, a exemplo das recentes declarações do astrofísico Stephen Hawking, alertando que a chegada de alienígenas à Terra podem ameaçar nossa espécie. Nesta palestra, será traçado um panorama a respeito das múltiplas formas com que enxergamos aqueles que Carl Sagan descreveu como "nossos irmãos e irmãs no Cosmos".
Renato Azevedo é engenheiro eletrônico e escritor. Autor de "De Roswell a Varginha" (2008). Consultor da revista UFO e colaborador da revista Sci-Fi News, coluna Quem conta um conto..., publicando a série de contos A Lista. Co-editor do site Aumanack. Autor convidado nas antologias Ufo: Contos Não Identificados (2010), e Medieval Scifi (2010). Participante das antologias Histórias Fantásticas Volume 1 (2010), Imaginários 4 (2011), e A Fantástica Literatura Queer (2011). Escreve o blog Escritor com R (http://escritorcomr.blog.uol.com.br).
Presente de Um Mundo Distante: "Como a Humanidade se apresentará perante a Galáxia. Em havendo alguém mais na vastidão do oceano cósmico para compararmos notas, descobertas, alegrias e arrependimentos, de que modo os seres que surgiram e cresceram no pálido ponto azul que chamamos de Terra se expressarão sobre sua existência e suas intenções futuras? Os cientistas da NASA, entre eles o renomado Carl Sagan, buscaram responder a esta indagação, e produziram um dos mais belos trabalhos unindo arte e ciência.", como o Disco de Ouro da Nave Voyager e a Placa da nave Pioneer desenhada pelo próprio Carl Sagan.
Douglas Camillo-Reis é escritor de ficção científica e roteirista do Grupo de Teatro Zona Neutra, a divisão de teatro do Grupo de Ficção Científica Alpha.
A Vida das Estrelas: Neste episódio, Carl Sagan parte do simples ato de fazer uma torta de maçã para falar de átomos e partículas subatômicas. Muitos dos ingredientes necessários são compostos de elementos químicos, formados durante a vida e morte das estrelas, resultando em gigantes vermelhas e supernovas, que colapsam em anãs brancas, estrelas de nêutrons, pulsares e buracos negros, e produzem vários tipos de fenômenos.
Evolução e Extinção: O universo é extremamente dinâmico e nada nele é eterno. Mesmo as estrelas nascem e morrem. O próprio cosmo teve um início. Não poderia ser diferente com a vida no planeta Terra. Os seres vivos que o habitam nem sempre foram iguais ao que são hoje. Isso se deve em parte ao fato da história da Terra apresentar cinco episódios de extinção em massa, onde a vida literalmente quase acabou. E ela encontrou maneiras de repovoar-se após todos os cinco, por meio da evolução e diversificação dos tipos sobreviventes. Portanto, não seria errado afirmar que as extinções ajudaram (e ajudam) a moldar a evolução da vida em nosso planeta. Contudo, muitos especialistas hoje reconhecem que estamos passando por um sexto episódio de extinção em massa, que não deixa nada a dever a nenhum dos anteriores, e com um grande diferencial: dessa vez a mão humana parece ter sido um agente fundamental.
Átila Oliveira é biólogo e educador. Autor do blog Pegadas de Um Dinossauro do Século XXI (atilassauro.blogspot.com) sobre zoologia, paleontologia e evolução biológica, combatendo o criacionismo e outras formas de pseudociência. Colaborador do site Aumanack e Biomania.
Buracos Negros – Vilões do Universo? Buracos negros são um dos objetos mais misteriosos do universo, exercendo fascínio e por vezes temor. Hoje a ciência estima que toda galáxia tenha um em seu centro. Mas como surgem e qual seu papel na evolução do Universo? Qual seu raio de ação? Seria possível viajar no tempo através deles, ou criar um microburaco negro em laboratório? Serão abordadas essas e outras questões como a diferença entre buracos negros, buracos brancos e buracos de minhoca, bem como a confiabilidade das informações científicas a que temos acesso.
Sílvia Reis é astrônoma amadora, pedagoga, psicopedagoga e autora de 10 livros na área da educação. Fez a assessoria pedagógica e a co-roteirização da sessão “Uma aventura pelo Sistema Solar” do Planetário Municipal de São Paulo. É integrante do Grupo de Observações Avançadas do Clube de Astronomia de São Paulo, onde é coordenadora. Presidente do Grupo de Ficção Científica Alpha e Grupo de Teatro Zona Neutra: http://alphafiction.wordpress.com/ e www.grupozonaneutra.com
Os ônibus espaciais e a conquista do espaço - O Fim de uma Era: Graças ao domínio das tecnologias dos vôos tripulados, a conquista do espaço deu um enorme salto em busca de requinte e sofisticação. Novas plataformas de trabalho como a Estação Espacial Internacional, novos equipamentos e até telescópios espaciais só puderam ser colocados em órbita graças aos vôos dos ônibus espaciais. Veículos que trouxeram luz à ciência, e tragédias que ensinaram o homem a repensar sua história.
Denis Zoqbi é radioastrônomo amador e instrutor de Astronomia junto ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia - INCT e atualmente coordena os cursos de Iniciação em Astronomia do CASP - Clube de Astronomia de São Paulo.
A Verdade Sobre um Ponto de Vista: As mudanças e o modo como as pessoas interpretam a ciência: Durante os séculos a ciência evoluiu. De um mundo cheio de monstros aos monstros tecnológicos. O que ontem era visto como "verdade", hoje foi derrubado e damos risada de nossa ingenuidade. A ciência e o mundo são desta forma, um "ponto de vista" do nosso conhecimento e cultura em que vivemos. Nesta palestra, queremos mostrar como algumas descobertas cientificas muitas vezes dependem apenas de um ponto de vista.
Alan Uemura é jornalista, editor dos sites Aumanack (www.aumanack.com) e Nippak Online (www.nippak.com.br)
Organização: Site Aumanack e Grupo de Ficção Científica Alpha
Apoio: Estação Ciência
Mais informações: http://www.eciencia.usp.br/
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ANIVERSÁRIO DO BLOG
Há pouco mais de uma semana (dia 18 de setembro) este blog completou um ano no seu novo endereço. Ainda que a correria dos últimos meses (provocada, felizmente, por motivos muito bons) tenha me impedido de postar com a freqüência que gostaria (e que havia prometido), fico feliz em notar que o meu principal objetivo fora alcançado: um blog focado, regular, esclarecedor dentro das limitações do seu autor e, especialmente, muito bem frequentado, com comentários pertinentes de gente realmente interessada no assunto.
Fazendo uso de um típico clichê dessas situações, aproveito para mostrar os 10 posts mais visitados do blog nesses 365 dias (clique na imagem para ampliá-la e visualizá-la melhor):
Como os leitores podem notar, os dinossauros encabeçam a lista, sendo assunto dos três posts mais lidos – com o célebre T. rex protagonizando o primeiríssimo lugar (PREDADOR OU CARNICEIRO?), com 1.270 visitas até o momento. Nada mais gratificante para um espaço voltado principalmente para a paleontologia e evolução biológica. Contudo, o quarto (BELAS, SIM... MAS ANTES DISSO, CRAQUES) e sétimo (PARA QUEM GOSTA DE MULHER) lugares comprovam que mulher bonita é sempre assunto com visita garantida. E falando em mulher, minhas considerações sobre a proposta da Slut Walk SP (NÃO, MULHER NÃO É TUDO VACA), além de ocupar o sexto lugar, teve ótima repercussão (14 comentários) só perdendo neste quesito para 10 INDICIOS DE QUE VOCÊ É UM PSEUDONERD (com 16 comentários e muita gente irritada por vestir a carapuça). Grande repercussão também teve HOMOSSEXUALIDADE ANIMAL (oitavo mais visitado), com 13comentários e muitos homofóbicos tendo que encarar a fragilidade do seu principal argumento: o de que homossexualidade seria algo contra a natureza e portanto uma aberração.
Agradeço a todos os visitantes e divulgadores do blog (grandes amigos, amigos virtuais e ilustres desconhecidos) pelo alcance que alguns dos meus textos tiveram, graças as suas indicações e repassadas. Sem vocês esse espaço seria apenas algo pessoal e restrito. Nada contra quem prefere fazer um blog nesse estilo, mas a minha proposta é outra. Esclarecendo, informando e, principalmente, fazendo pensar, sinto que estou no caminho certo. E, lembrando, sempre aberto a críticas e sugestões.
Para os próximos dias, aguardem posts instigantes. Abraço pra quem for de abraço, beijo pra quem for de beijo.
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segunda-feira, julho 18, 2011
10 BOAS NOTÍCIAS DOS ÚLTIMOS 45 DIAS
- Norte americano compõe rap em homenagem a Charles Darwin. A cultura geral ajudando a popularizar a ciência.
- Neurocientistas da Universidade de Michigan confirmam o que todos os amantes da natureza já sabiam há tempos: o contato com elementos naturais, mesmo uma pequena área arborizada de uma grande metrópole ou um animal de estimação, reduz o estresse, a ansiedade, a tristeza, o cansaço e a possibilidade de depressão, além de aumentar a capacidade do indivíduo para solucionar problemas.
- Grupo de pesquisadores da Universidade Rockefeller, liderado pelo brasileiro Michel Nussenzweig, descobre uma origem comum para mais de 570 tipos de anticorpos que atacam o HIV, o que aumenta as chances de uma possível terapia gênica para a AIDS. A pesquisa está na revista Science.
- A coluna “Escuta Aqui”, de Álvaro Pereira Junior, no suplemento Folhateen do jornal Folha de São Paulo foi extinta.
- Ainda sobre a Folha, após duas décadas ininterruptas de balelas e caras de pau, José Sarney não figura mais entre seus colunistas.
- Racistas de todas as cores, hora de chorar. Estudos sobre o DNA e a demografia dos hominídeos realizados nos últimos trinta anos confirmam que o homem moderno não apenas surgiu na África, como originou-se de várias miscigenações e, consequentemente, de hibridizações culturais.
- Ministério Público estuda a possibilidade de ação contra o “humorista” Rafinha Bastos, em virtude de sua infeliz piada envolvendo estupro e mulheres feias.
- Melanossomos (estruturas microscópicas que constituem a base do pigmento melanina) presentes em tecidos moles (pele, penas, escamas, pelos) bem preservados pode ser a chave para a reconstituição correta das cores de espécies animais pré-históricas.
- A banda Red Hot Chili Peppers fará uma apresentação em São Paulo no dia 21 de setembro – ou seja, antes do Rock in Rio. O local será a Arena Anhembi. Ingressos à venda.
- Marianne Steinbrecher, a Mari, está confirmada como titular da seleção brasileira feminina de vólei no próximo Grand Prix, que tem início no dia 5 de agosto.
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sábado, junho 25, 2011
HOMOSSEXUALIDADE ANIMAL
Já há algum tempo venho preparando um texto sobre a homossexualidade no reino animal. Sim, ao contrário do que os mais desinformados pensam ela não é exclusividade da espécie humana. E o lançamento de A Fantástica Literatura Queer (brilhantemente idealizada e organizada por Rober Pinheiro e minha amiga Cristina Lasaitis), bem como a proximidade da Parada do Orgulho LGBT, me mostrou que nesse ano não haveria momento mais oportuno para postá-lo que agora.
Para desespero dos homofóbicos de plantão, a ciência tem descoberto um número cada vez maior de evidências da homossexualidade em outras espécies animais, além do Homo sapiens. Isso por si só já bastaria para derrubar de uma vez por todas o principal argumento daqueles que procuram justificar a homofobia, principalmente certos segmentos religiosos: a de que a homossexualidade seria "algo contra a natureza". Aliás, tal afirmação constitui justificativa das mais pobres e frágeis; uma vez que feitos como a agricultura, a prevenção de doenças, a correção de defeitos congênitos e a própria fabricação de medicamentos também são atitudes não naturais da espécie humana. O comportamento homofóbico, como toda intolerância baseada no puro preconceito, relaciona-se com uma desesperada procura de uma justificativa para o ódio injustificável. De fato, é muito mais fácil atribuir a origem de preconceitos a entes externos como Deus ou um livro sagrado que assumi-los publicamente. Se reconhecer e se assumir como um indivíduo preconceituoso requer muita coragem.
Apenas no início do século XX alguns pesquisadores pararam de fazer vista grossa para algo que julgavam imoral - sim, sempre houve e ainda há preconceito na ciência, pois cientistas são antes de tudo seres humanos. Em 1999, o zoólogo canadense Bruce Bagemihl listou 1500 espécies de animais onde existe algum comportamento que caracteriza envolvimento sexual e/ou afetivo entre indivíduos do mesmo sexo; sendo em sua maioria (mas não apenas), mamíferos e aves. A lista é enorme: leões, golfinhos, elefantes, rinocerontes, lobos (e sua subespécie bem conhecida de todos nós, o cão doméstico), ratos, quase todas as espécies de pássaros e praticamente todos os primatas, só pra citar alguns exemplos.
Apenas no início do século XX alguns pesquisadores pararam de fazer vista grossa para algo que julgavam imoral - sim, sempre houve e ainda há preconceito na ciência, pois cientistas são antes de tudo seres humanos. Em 1999, o zoólogo canadense Bruce Bagemihl listou 1500 espécies de animais onde existe algum comportamento que caracteriza envolvimento sexual e/ou afetivo entre indivíduos do mesmo sexo; sendo em sua maioria (mas não apenas), mamíferos e aves. A lista é enorme: leões, golfinhos, elefantes, rinocerontes, lobos (e sua subespécie bem conhecida de todos nós, o cão doméstico), ratos, quase todas as espécies de pássaros e praticamente todos os primatas, só pra citar alguns exemplos.
Mas é preciso cautela. Tais descobertas de forma alguma evidenciam a existência de uma possível origem genética para a homossexualidade na espécie humana, como querem alguns. Na natureza a sexualidade é extremamente diversificada e em algumas espécies o comportamento homossexual se apresenta de forma bem diferente do que se observa na nossa espécie. Com base no que já se descobriu, inclusive do ponto de vista evolutivo, chega a ser ingênuo querer estabelecer uma teoria de origem comum para a homossexualidade em todo o reino animal, ou mesmo para todos os mamíferos. Tudo indica que ela apareceu mais de uma vez, de maneiras diferentes e independentes na história da sexualidade das espécies. Ou seja, não foi um acontecimento único e isolado, evoluído linearmente, mas sim vários eventos pontuais, extremamente abrangentes e multifacetados (como a própria sexualidade em si, diga-se de passagem). Sem sombra de dúvida, um tema complexo. Trabalhos multidisciplinares parece ser o caminho para compreender a homossexualidade humana e dos outros animais. Eis um campo de estudo interessante e promissor, onde muitas pistas ainda estão esperando para serem descobertas.
A seguir, apresento dez espécies onde a homossexualidade se manifesta de maneiras bem particulares:
Bonobo (Pan paniscus) - Ao contrário dos seus parentes próximos, os chimpanzés (Pan troglodytes), os bonobos são extremamente pacíficos e pouco territorialistas; muito raramente fazendo uso de agressões físicas, seja entre membros da mesma espécie, seja com outros animais. Além disso, não apresentam o que se poderia chamar de uma hierarquia social. Mas o mais curioso são suas interações sociais: que não são estabelecidas por meio da intimidação ou da violência, como nos chimpanzés, mas sim sob formas bem mais gentis, não raras vezes fazendo uso do contato sexual. Poligâmicos, os bonobos possuem uma sexualidade extremamente variada: heterossexuais, machos com machos, fêmeas com fêmeas (caso da foto acima, o maior número de contados homossexuais registrados na espécie), machos adolescentes montando fêmeas maduras, machos adultos montando fêmeas adolescentes, fêmeas maduras masturbando jovens machos, fêmeas velhas abaixando-se delicadamente quase ao nível do chão para permitirem-se penetradas por filhotes machos. Alguns pesquisadores chegaram a afirmar que não existem bonobos fêmeas heterossexuais, mas apenas bissexuais (que seriam a maioria) ou homossexuais. Essa também é uma das diversas espécies de primatas onde se observou relações homossexuais que culminaram em algo muito semelhante ao orgasmo humano. O bonobo foi a primeira espécie, além do homem, onde se notou que o sexo não se limitava ao propósito da reprodução, incluindo sexo oral tanto nas relações hetero quanto homossexuais. O sexo nessa espécie parece ter uma importância tão ou maior que na espécie humana, uma vez que além do prazer, envolve todo um contexto social.
"Blackbuck” (Antilopa cervicapra) - Esse ruminante asiático muda a sexualidade conforme a idade. Até o presente momento, machos adultos homossexuais são desconhecidos. Mas curiosamente, e por motivo ainda ignorado, todos os machos adolescentes (que possuem a mesma tonalidade castanha das fêmeas) são exclusivamente homossexuais, copulando entre si. Só começam a procurar fêmeas após atingirem a maturidade e adquirirem a característica coloração negra com o ventre branco dos machos adultos, que são solitários a maior parte do ano, formando haréns na época do acasalamento – como na foto acima.
Cisne Trombeteiro (Cygnus buccinator) – O maior pássaro da América do Norte, essa espécie foi equivocadamente eleita como símbolo do amor entre um homem e uma mulher, bem como da fidelidade amorosa. De fato, até algumas igrejas (incluindo a católica romana) chegaram a citar por mais de uma vez o cisne em defesa do casamento tradicional e para condenar o adultério. A grande verdade porém é que o cisne trombeteiro, bem como todas as outras espécies de cisne, não é nenhuma das duas coisas. Estudos em genética nas duas últimas décadas mostraram que, embora essencialmente monogâmicos, muitas vezes as ninhadas de cisnes têm pais biológicos diferentes do parceiro com o qual a fêmea divide os cuidados do ninho. E para sepultar de uma vez a fama desses animais como marido/esposa fiéis, geralmente esses pais biológicos são machos “comprometidos” com outras fêmeas. Também já se observou diversos contatos homossexuais em indivíduos de ambos os sexos nessas “puladas de cerca”, ainda que as mesmas sejam bem mais comuns nos indivíduos jovens, que não realizaram sua primeira postura. Cabe aqui adicionar que em virtualmente todas as espécies de pássaros ocorrem contatos homossexuais que, pelo menos entre os machos, ocasionalmente terminam em ejaculação.
Hiena Malhada (Crocuta crocuta) - Uma das características da família dos hienídeos é a presença nas fêmeas (geralmente pouco maiores que os machos) de uma bolsa escrotal oca. E o clitóris delas é enorme e alongado, muito semelhante a um pênis. Além disso, fora da época da reprodução, sua abertura vaginal permanece fechada e impenetrável. Devido a essas características bem peculiares, até meados do século XIX pensava-se que as hienas (família Hienidae) fossem hermafroditas – outra característica vista como demoníaca por alguns segmentos religiosos judaico-cristãos. Realmente, em muitos casos, só é possível distinguir o sexo de uma hiena apalpando-lhe a bolsa escrotal. Os bandos de hienas malhadas são sociedades matriarcais, lideradas por uma fêmea dominante. Há décadas registra-se um número expressivo de falsas cópulas entre fêmeas adultas e mesmo jovens. Todo ano, grupos de 2 a 4 fêmeas (muitas vezes com filhotes) se separam do resto bando e assim ficam, por períodos que variam de meses até o resto da vida, compartilhando comida e executando falsas cópulas com relativa frequência.
Urso Pardo (Ursos arctus) – Mais precisamente, as ursas pardas. Há uma farta documentação a respeito de fêmeas nessa espécie que poderiam ser classificadas, segundo critérios humanos extremamente restritivos, como bissexuais. Ocorre que os ursos pardos (o maior predador terrestre do Hemisfério Norte) são animais solitários, sendo que os machos procuram as fêmeas apenas na época do acasalamento. O casal nem chega a conviver junto por muito tempo, ficando a fêmea como a única responsável pela criação dos filhotes – que por sinal têm os machos adultos da própria espécie como seus principais predadores. Não são raros os casos de duas fêmeas que pariram na mesma época acabarem se unindo para cuidarem juntas das suas ninhadas. O que poderia ser apenas uma “parceria de amigas com necessidades em comum” revela-se algo mais se atentarmos para o fato que em 90% desses casos elas trocam carícias e até executam falsa cópulas com contatos vaginais, não raras vezes resultando em orgasmos.
Borboletas Nynphalídeas (diversas espécies) – Essa família de borboletas inclui várias das espécies possuidoras de grandes ocelos nas asas (desenhos que lembram olhos, cujas funções vão de afugentar predadores a chamarem a atenção das fêmeas), geralmente mais desenvolvidas nos machos. Em 2010, Antonia Monteiro e Kathleen L. Prudic da Universidade de Yale realizaram um interessante estudo sobre a sexualidade desse tipo de borboleta, no qual há uma documentação expressiva sobre homossexualidade, especialmente entre fêmeas. O referido estudo foi posteriormente publicado na revista Science. As autoras estudaram o comportamento sexual de borboletas criadas a 27ºC e a 17ºC. Notou-se que nas temperaturas mais frias, as lagartas fêmeas davam origem a adultas que adotavam um comportamento mais ativo no que diz respeito à reprodução, literalmente cortejando os machos. Em algumas espécies, até os ocelos das asas, tornaram-se maiores e mais vivos. Já as lagartas de temperaturas mais elevadas originam fêmeas mais passivas, que apenas esperam o cortejo dos machos. O resultado é que as fêmeas mais ativas acabam sendo aquelas com maior sucesso reprodutivo. Além disso, é justamente nelas que se observa interações homossexuais. A grande questão é: será que as duas características possuem alguma ligação?
Argali ou Bighorn (Ovis ammon) – Esse majestoso carneiro selvagem vive numa região montanhosa que vai do Oriente Médio a Mongólia, passando pelo Himalaia. Os machos são geralmente solitários quase o ano todo, formando grandes haréns na época do acasalamento. As fêmeas vivem em pequenos grupos. Como ocorre geralmente nas espécies poligâmicas, o dimorfismo sexual é bem acentuado, sendo os machos bem maiores e com grandes cornos curvados em forma de meia lua, que usam em disputas territoriais ou por fêmeas – dos quais os maiores pares chegam a pesar 200 kg. Nessa espécie, alguns machos adultos ou jovens podem formar pequenos grupos (como o da foto acima), onde são bastante comuns contatos sexuais, incluindo lambidas na região genital resultando em ejaculações. Alguns desses indivíduos passam a vida inteira nesses grupos, nunca procurando fêmeas.
Babuíno Dourado (Papio cinocephalus) – Nessa espécie registraram-se diversos contados homossexuais em ambos os sexos. E assim como nos bonobos (vide acima), já se observou não apenas o autêntico orgasmo, como também que a vocalização das fêmeas no momento da cópula é um indicativo claro de prazer – fêmeas que fazem sexo às escondidas (como as que “traem” o grande macho dominante com outros machos do bando) costumam manter o silencio durante o ato. Hoje já se sabe que essa é uma característica comum a todos os primatas e não exclusiva da espécie humana. Embora bem mais agressivos e combativos que os bonobos, os babuínos também possuem um comportamento sexual com contexto social: a montada. Entre os babuínos há o hábito de ser virar o traseiro para os indivíduos dominantes, em sinal de submissão. E é comum entre os machos adultos a penetração anal, montando outro macho hierarquicamente inferior. Como resultado, o líder monta todos os indivíduos adultos do bando. Embora mais raros há líderes, apelidados por alguns primatólogos de "machos Nero", que também se permitem montar por outros machos hierarquicamente graduados.
Baleia Cinzenta (Eschrichtius robustus) - Na época da reprodução, grupos de machos dessa espécie de cetáceo avançam nos mares árticos em busca das fêmeas. Na verdade, nem todos. Durante o trajeto alguns machos esfregam seus corpos em outros machos, quase sempre tendo ereções. Essa troca de carícias geralmente culmina com dois ou três machos cercando um terceiro, tentando copular com este (normalmente sem sucesso) e finalizando com ejaculações. Observou-se que a maioria destes machos que participam desta brincadeira sexual não procuram fêmeas para se acasalarem.
Mosca das Frutas (Drosophila melanogaster) - Num estudo realizado em 2005, a equipe liderada pelo neurobiologista australiano Barry Dickson, do Instituto de Biotecnologia Molecular da Academia Austríaca de Ciências, em Viena; conseguiu alterar o comportamento sexual dessa espécie (uma das mais utilizadas em experimentos científicos) apenas mexendo no seu código genético. Para isso alteraram o gene conhecido como "fruitless" ou "fru", considerado a central para o acasalamento, envolvida no ritual de corte dos machos. Notou-se então que as fêmeas alteradas começaram a procurar outras fêmeas e até a tentar copular com elas; enquanto os machos alterados passaram a se comportar como fêmeas em relação aos outros machos. Esse experimento esquentou ainda mais o debate sobre uma possível origem genética da homossexualidade. Contudo, cabe esclarecer que nos vertebrados, ao contrário do que ocorre nos insetos, não são os cromossomos que determinam a sexualidade. Na verdade ela estaria muito mais relacionada com os hormônios. Ainda assim, muitos estudiosos defendem que essa influencia seria apenas parcial – prova disso é que lésbicas não apresentam necessariamente altos níveis de testosterona, por exemplo.
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